sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

INSTRUÇÕES GERAIS PARA OS ALUNOS DURANTE AS SAÍDAS PARA AS AULAS DE CAMPO


INSTRUÇÕES GERAIS PARA OS ALUNOS DURANTE AS SAÍDAS PARA AS AULAS DE CAMPO



·         Andar sempre em grupos pequenos

·         Manter a administração da escola informada sobre o destino e os horários previstos de saída e de retorno.

·         Usar protetor solar com fator de proteção adequado.

·         Usar calça comprida, camisa de manga comprida e sapato fechado, de preferência com cano acima do tornozelo.

·         Evitar áreas de capim ou mato alto.

·         Evitar revirar pedras ou galhos com as mãos.

·         Não entrar em florestas, trilhas ou caminhos sem a presença de um guia experiente.

·         Ao visitar lagoas ou açudes, nunca ultrapassar áreas superiores a 50cm de profundidade. Evitar colocar o corpo em água na qual se verifique a presença de caramujos transmissores da esquistossomose. Ao visitar rios, evitar áreas de forte correnteza.

·         Ao visitar costões rochosos, que ocorrem em geral nas extremidades das praias, usar sapato fechado com sola de borracha antiderrapante. No mar, não adentrar em áreas com mais de 50cm de profundidade.


Livro ser protagonista/ Biologia ensino médio 2º coleção0072P18113/ 2016   organizações SM Editora responsável Lia Monguilhott Bezerra





Estratégias Didáticas no Ensino de Ciências Biológicas e os Espaços Educativos


Estratégias Didáticas no Ensino de Ciências Biológicas e os Espaços Educativos

Texto produzido por: Rosimeire Morais Cardeal Simão


Historicamente, a educação tem refletido as características de seu tempo e da sociedade na qual as instituições educacionais estão inseridas. Vivemos em uma sociedade cada vez mais informatizada, que vem sofrendo transformações bastante profundas, em especial nas formas de comunicação e de acesso ao conhecimento. Essas tendências têm influenciado a uma nova gestão dos espaços educativos de forma a repensar a um novo processo pedagógico. Temos convicção, que a escola sempre foi vista como única responsável em ensinar, e formar cidadãos inventivos para atuarem com competência na sociedade a qual faz parte.

Na verdade cada sociedade possui um sistema de educação que se impõe aos indivíduos. Por exemplo, na sociedade democrática encontra-se a formação de cidadãos ativos, críticos, preparados aos avanços tecnológicos, conscientes de seus direitos e deveres (ROMANOWSKI, 2007) Porém, reconhecemos que este é o grande desafio dessa nova gestão, que com esta função primordial tem buscado transformar o processo de ensino de modo a modificar algumas escolas, na tão esperada “Escola Eficaz”, aquela em que realmente os alunos aprendem.

Nesta visão, percebemos como é possível acredita no potencial dos educandos desde que a autonomia seja um desafio e um fenômeno a ser concretizado por todas as lideranças envolvidas com as escolas, como também da comunidade e principalmente da participação da família como sendo essencial para a obtenção de resultados satisfatórios. Além disso, a falta de material adequado e mais abrangente, no que se refere ao estudo dos fungos, aliada às dificuldades dos professores em ministrar tal conteúdo são algumas das justificativas para o complexo desenvolvimento deste tema, no âmbito do ensino nas escolas.

 Esta condição pode induzir menor empenho e atenção ao teor desta temática, a qual detém importância para o entendimento de processos vitais, como funcionamento e manutenção do equilíbrio de ecossistemas, compreensão da ação de fármacos no organismo humano, bem como sua relação com outras áreas da biologia (SANTOS, 2003)

Frente a esta realidade, alguns pesquisadores da área do ensino de ciências têm desenvolvido materiais didático-pedagógicos capazes de aumentar o interesse dos estudantes pelo tema, a partir da sua utilização como ferramentas auxiliares para a prática pedagógica. Tem sido demonstrado, por exemplo, que a partir da utilização de materiais de baixo custo, encontrados no dia a dia, é possível tornar as aulas mais encantadoras e motivadoras, incluindo os estudantes na construção do conhecimento (SOUZA et al., 2008).

Além disso, entre os grandes desafios do ensino está o emprego de metodologias que estejam envolvidas com a aprendizagem capaz de proporcionar compreensão do conteúdo de forma mais eficaz e significativa. Os fenômenos biológicos, assim como qualquer evento relativo ao cotidiano, são explicados por significados que, antes da coerência científica, devem ser úteis para quem os utiliza e aprende (MOREIRA, 2006).

Portanto, nesta perspectiva de mudanças em encarar esta nova Gestão dos Espaços Educativos como um desafio, é que precisamos nos conscientizarmos que transformar nossas escolas em instituições eficazes é uma tarefa difícil, porém cabível a todos nós, desde que encaremos a educação como um processo que não pode viver isolado num mundo, e sim, como algo que precisa estar engajado com a sociedade e com a família. É desejo que todos nós possamos estar englobados nesta missão da escola em educar não apenas para ampliar conhecimentos, mas também para transformar seus usuários em cidadãos críticos, preparados para contribuir significativamente como sujeitos cooperativos para viverem em uma sociedade, só assim, faremos a diferença e transformaremos esta nova etapa no verdadeiro processo de ensino e aprendizagem

Diante do pressupostos, somos convictos em admitir que a sociedade está mudando e com ela muda a sociedade, mudam os valores e as expectativas das pessoas a respeito das instituições, inclusive a escola. E por a família sofrer estas modificações surge a necessidade em admitir que independente das mudanças, a presença destas na escola é de grande importância para o desenvolvimento dos educandos.

            Nesta visão, reconhecemos que a escola de que necessitamos para potencializar cidadãos equilibrados, responsáveis tolerantes deverá estar estruturado de modo que facilite uma educação integral, que se dirija equilibradamente a toda e a cada um dos indivíduos como um todo.

            Sendo assim, na moderna concepção de gestão escolar participativa, os pais têm poder e autoridade para influir nas decisões importantes da escola, tendo livre-arbítrio para se envolver nas elaborações e implantação de novos projetos pedagógicos, dessa forma, como mero instrumento que assume sua responsabilidade, no intuito de ajudar a instituição a ter sucesso, não só pelos seus filhos como também por todos os educandos.

            Portanto, cabe aos docentes admitir que as instituições escolares, só serão educativas na medida em que funcionar como centros de formação coletiva. É nesta tarefa que elas adquirem sua identidade plena, e é nesta formação conjunta que os professores e alunos se afirmam como sujeitos participantes na sociedade. Assim quando aderirmos esta consciência à nossa prática estaremos não só contribuindo para o processo pedagógico como também estaremos de fato preparados para agir com cautela e determinação no verdadeiro processo de ensino e aprendizagem.



Livro ser protagonista/ Biologia ensino médio 2º coleção0072P18113/ 2016   organizações SM Editora responsável Lia Monguilhott Bezerra



           






O uso do BLOG como recurso didático na Educação Básica


BLOG

Livro ser protagonista/ Biologia ensino médio 2º coleção0072P18113/ 2016   organizações SM Editora responsável Lia Monguilhott Bezerra

Texto produzido por: Rosimeire Morais Cardeal Simão


A utilização do blog como recurso didático pode se dá de diversas maneiras uma maneira pode ser dividindo a turma em grupos, mas que cada grupo fica responsável por manter o seu blog atualizado de acordo com a demanda da disciplina, isso pode acontecer durante todo o ano.  Tudo que ocorrerá durante as aulas daquela disciplina o grupo poderá publicar os relatórios dessas atividades, o passo a passo dos experimentos que venham a acontecer nessas aulas, todas as etapas de estudo, dados da atividade de campo, campanhas, divulgação de mostras.

Na escola os blogs podem servir a vários fins, podem ser: o portal da escola; o espaço de divulgação de ações ou projetos específicos; o espaço de acompanhamento e gestão da escola; entre outros (OLIVEIRA, 2007). Desse modo, a utilização do web blog, ou blog em sua forma popularizada, pode ser um instrumento de apoio por apresentar ao professor e ao estudante inúmeras possibilidades de seu uso (BARBOSA e SERRANO, 2005).

De maneira que cada grupo possa ler, comentar as publicações do outro grupo a cada nova atualização. Assim, o grupo que fez a postagem poderá responder, e o(a) professor deve complementar quando se fizer necessário, mas não se deve esquecer que cada dúvida precisa ser tirada e nenhuma delas venham a ficar sem resposta. A maioria dos blogs é primariamente textual, embora possam ter parte do conteúdo visual focada em temas exclusivos como arte, fotografia, vídeos, música, áudio, formando ampla rede de mídias sociais (MARINHO, 2007) e para isso se faz necessário que para haver atualização desses blogs, pode ser feita também um único blog para a turma e todos se reversarem nas atualizações.

Além disso, é possível criar diários coletivos, mantidos por vários usuários (ROCHA, 2003; ZAGO, 2008; FOLHA DE SÃO PAULO, 2003). A cada nova postagem, cada aluno vai ler e comentar, assim, o interesse neste recurso se deve à simplicidade de uso, ou seja, com poucos cliques, qualquer internauta pode criar seu próprio diário virtual, mesmo que não tenha conhecimentos de programação podendo lançar críticas ou dúvidas acerca do que foi publicado, dessa maneira é uma forma de discutir amplamente os conteúdos dados em sala de aula. A maioria dos recursos da internet, dentre elas o blog que é um dos mais novos da rede mundial de computadores, não foram criados especificamente para a escola. Mas nos parece uma grande opção ofertada a ela, para seus professores e gestores, enquanto alternativa para uso na educação escolar (MARINHO, 2007).

E por ser um recurso inovador cheio de desafios e que pode ser amplamente utilizado na área de educação, desenvolvendo possibilidades de interação entre os estudantes como alternativa viável de promover o aprendizado. Assim, Para Richardson (2006) são vários os motivos pelos quais os blogs se apresentam como elementos de utilização interessante para a escola.

A experiência do blog como ferramenta educacional pode ser enriquecida se houver o envolvimento de outras disciplinas, tornando um projeto interdisciplinar. Para tanto, é algo a ser discutido no meio escolar. Vale lembrar que toda incursão no mundo virtual requer cuidado para preservar o educando de qualquer conteúdo alheio as questões educacionais.

A escolha do blog se dá em virtude da sua aplicabilidade, ele se distingue de todas as outras formas de relacionamento virtual (e-mail, chats, etc.) por ser uma forma dinâmica e de interação e de facilidade de acesso e de atualização. Nesse sentido os blogs podem ser adotados pela escola como um recurso útil para os mais diversos assuntos e atividades. Desse modo, deveriam ser considerados pela escola como estratégia relevante nas ações de formação e comunicação. Essa atividade alinha-se ao que se espera dos anos finais do ensino fundamental e, na sequência, do ensino médio, ao colocar os educandos no papel de produtores e divulgadores de conhecimento.

Estudos recentes demonstram ainda que essa atividade melhora a produção de texto (WANG, 2008) e facilita o contato dos educandos com pessoas interessadas em temas comuns ou relacionados as suas postagens ( GAUDEUL, 2010) Entre outras razões apontadas pelos autores, podemos perceber que é uma ferramenta de aprendizagem e que tem audiência potencial significativa e que ultrapassa os limites da escola, permitindo assim, que aquilo que os estudantes produzem de relevante vá muito além da sala de aula e que sirvam de arquivos para a aprendizagem construída pelos estudantes e professores, além de ser uma ferramenta democrática que permite vários formas de escrita. Os blogs educacionais são considerados por Glogoff (2005) ferramentas instrucionais centradas na aprendizagem.



Construção do Blog



O blogs é uma expressão em inglês web log, representa um diário de rede online surgiram à partir da necessidade de criar um espaço de divulgação de informações e interação entre estudantes, professores, profissionais da área e outros interessados. O blog é também uma oportunidade de levar o conhecimento adquirido para além dos limites da escola, o que pode estimular o engajamento dos educandos dentro e fora do mundo virtual.

Essa atividade alinha-se ao que se espera dos anos finais do ensino Fundamental e, na sequência, do Ensino médio, ao colocar os educandos no papel de produtores e divulgadores de conhecimento. Estudos recentes demonstram ainda que essa atividade melhora a produção de texto (WANG,2008) e facilita o contato dos educadores com pessoas interessadas em temas comuns ou relacionados a suas postagens (GAUDEUL, 2010).

O fato de permitirem que o leitor deixe comentário, os quais podem ser respondidos pelo autor do blog ou por vários leitores, criou um interessante e inusitada possibilidade de interação com o público e entre o público, que pode ser bastante enriquecedora do ponto de vista educacional, desde que bem explorada. O blog é uma modalidade de debate virtual difere substancialmente do debate presencial em sala de aula; por isso, é importante definir com os educandos algumas regras sobre como utilizar esse recurso e estar pronto para atuar como mediador de comentários.   

A atualização do blog como recurso didático pode se dá de diversas formas: a turma pode ser divididas em grupos, cada grupo ficando responsável por seu próprio blog ao longo do ano, mantendo-o atualizado de acordo com a demanda da disciplina; podem ser publicados relatórios de atividades, passo a passo de experimentos, etapas de estudos, dados de atividades de campo, campanhas, divulgação de mostras, entre outros. A cada nova atualização, todos os grupos devem ler e comentaras publicações dos outros; caso surjam questionamentos, o grupo autor do post deve responder, e o (a) educador(a) deve complementar quando necessário. É importante cuidar para que as dúvidas não fiquem sem respostas.

No ambiente virtual, informações sobre os fungos podem ser apresentadas em linguagem apropriada ao público alvo, que estará conectado ao sistema com a possibilidade de enviar suas dúvidas e sugestões. O blog se apresenta como ferramenta pedagógica estratégica para o ensino, pois seu uso desafia os professores a desenvolverem contextos de interação que estimulam a criatividade e o aprendizado, além de contribuir enquanto viabilizador do conhecimento (BARBOSA e SERRANO, 2005).

Desse modo, o blog, podem ser lidos e eventualmente comentados por qualquer pessoa. Em pouco tempo tornaram-se uma das ferramenta de comunicação mais populares  do mais são simples de criar e fáceis de atualizar internet, basicamente porque  localizado no endereço eletrônico, o blog pode ser criado com o intuito de trazer: informações pertinentes e relatos de experiência sobre a à temática em questão, ciência pouco discutida quanto à sua importância para os seres vivos e para o meio ambiente de uma maneira geral; atividades pedagógicas desenvolvidas utilizando os recursos didáticos elaborados e aplicados com os estudantes; interação entre estudantes e professores com as novas tecnologias; oportunidade de trocas de experiências e discussões sobre vários temas relacionados aos fungos.

O blog  com o tempo perdem o caráter pessoal e ganham enfoques temáticos, sendo úteis na publicação de relatos, ciência, entre outros , além de terem se configurado  como uma poderosa fermenta do jornalismo opinativo, se apresenta como mecanismo auxiliar para a produção de possíveis mecanismos de gestão, especificamente voltados ao ensino de ciências e biologia, podendo ser adotado por Secretarias de Educação com vistas a maior inserção não só da escola pesquisada como também do Município, como também em outros Municípios do Estado da Bahia.

A proposta do blog tem como objetiva instigar o aluno a aprender sobre fungos por meio de pesquisa de campo e incentivar a participação dos alunos dentro de uma atividade diferenciada que envolve a iniciativa, a participação e envolvimento, tanto individual quanto coletivo no registro e na articulação na construção de novos conhecimentos.






Aula de Campo como Mecanismo Facilitador do Ensino-Aprendizagem sobre os Fungos na Educação Básica.


Aula de Campo como Mecanismo Facilitador do Ensino-Aprendizagem sobre os Fungos na Educação Básica.



Livro ser protagonista/ Biologia ensino médio 2º coleção0072P18113/ 2016   organizações SM Editora responsável Lia Monguilhott Bezerra

Texto produzido por: Rosimeire Morais Cardeal Simão



Trabalhar com aulas de campo na Educação Básica, tem especial relevância, por isso devem ser estimuladas, pois quando aplicadas para esse público alvo, irão levá-los à realidade do meio ambiente. Esta atividade é caracterizada por ser mais flexível, por trabalhar o conteúdo proposto e acontecer em ambiente extraclasse da instituição educacional (KRASILCHIK, 2004; MORAIS e PAIVA, 2009).

            Krasilchik (2004) afirma que um professor pode expor os conteúdos por meio de uma aula expositiva, o que pode ser uma experiência informativa, divertida e estimulante, dependendo da forma como ocorra o preparo da aula. Para tanto as disciplinas devem incluir as várias modalidades didática, entre ela a aula de campo, de modo que, uma rápida saída de campo, pra visitar o ambiente natural. Estas aulas também oferecem a possibilidade de trabalhar de forma interdisciplinar, pois dependendo do conteúdo, podem-se abordar vários temas (MORAIS e PAIVA, 2009), possibilita ricas experiências de aprendizagem e cumpre um importante papel pedagógico, pois desperta a curiosidade, estimula a busca pelo conhecimento, exercita certas habilidades e a práticas de alguns valores e atitudes que nem sempre são facilmente exploráveis em sala de aula.

Os valores e convicções do professor também devem ser considerados para que o trabalho seja bem realizado, pois deve ser utilizada uma metodologia na qual o profissional responsável pela execução confie e acredite (KRASILCHIK, 2004). Atualmente os conteúdos de Biologia que aborda o tema fungos, está definido para ser trabalhado no 3º ano do Ensino Médio, isto porque o livro didático adotado pelos professores da instituição faz a seleção dos conteúdos de maneira diferente da maioria dos outros autores.

Existem autores que caracterizam a aula expositiva, tanto oral quanto escrita enfatizando que aprender é mera repetição de conteúdos, por vezes, sem nenhum significado para o dia a dia da vida. O professor que se interessa em mudar a tradicional aula expositiva deve buscar meios para que os alunos possam estar envolvidos e empenhados no próprio processo de aprendizagem (MARTINS, 2009).

            Porém em alguns casos, é cansativa e pouco contribui para a formação dos alunos. Uma saída da escola ou trabalho de campo, também chamadas de visitas, passeios e excursões podem estar inseridos no currículo escolar. Considera-se importante, inserir o ensino nas práticas rotineiras dos estudantes e para isto deve-se contextualizar o ensino por meio de saídas da escola para a observação da natureza e do cotidiano da sociedade. Consequentemente, a realidade dos alunos é de suma importância, sendo que muitos docentes já trabalharam com esta ideia, além do que, existem vários espaços específicos em conteúdos de Ciências.

Nas matérias relacionadas com Ciências, torna-se imprescindível um planejamento que articule trabalhos de campo com as atividades desenvolvidas em classe, na busca de um ensino de qualidade (VIVEIRO e DINIZ, 2009).Segundo Anastasiou e Alves, (2004, p.  67-100)

Existe uma estreita relação das aulas de campo com as atividades pedagógicas convencionais, as quais são consideradas estratégia de ensino, muitas vezes denominadas como estudo do meio, sendo consideradas como ensino formal, pois se encontram totalmente relacionadas aos acontecimentos da sala de aula

Os professores possuem várias maneiras de diversificar suas aulas, associando a tradicional aula teórica a outras formas de ensino, que poderão ajudar no processo de aprendizagem do aluno. Diante disso, cabe ao professor escolher o conteúdo que vai trabalhar e à partir daí traçar um plano de aula, de forma que cabe ao professor escolher as ferramentas as quais irão utilizar nessa aula de campo. Atividades práticas, uso do laboratório e aulas de campo são as formas mais conhecidas, sendo esta última relatada por Fonseca e Caldeira (2008, p.71):

Uma forma de realizar a apresentação de fenômenos naturais é utilizando, como recurso didático, aulas de campo em ambientes naturais principalmente aqueles que encontrados espacialmente próximos aos alunos por sua facilidade e pela possibilidade dos alunos possuírem experiência prévia com o ambiente objeto de estudo.



As aulas de campo são oportunidades em que os alunos poderão descobrir novos ambientes fora da sala de aula, incluindo a observação e o registro de imagens e/ou de entrevistas as quais poderão ser de grande valia. A aula de campo tem sido descrita como uma forma de levar os alunos a estudarem os ambientes naturais, objetivando perceber e conhecer a natureza por meio dos diversos recursos visuais, ou seja, levá-los ao ambiente propriamente dito para estimular os sentidos de forma lúdica e interativa.

No momento em que o professor planeja a sua atividade de campo à partir de um escolhido, ele poderá organizar uma série de questões, ou pedi que os alunos façam relatório ou mesmo faça uma discussão durante a aula de campo, ou na próxima aula que o professor tiver com essa turma. Não se pode esquecer que para toda saída de campo, é preciso que na aula que antecede a saída, o professor entregue o termo de consentimento, para que os pais autorize a saída do seu filho do espaço escolar.

O professor tem papel fundamental na realização da aula de campo, pois além de planejar toda a atividade, ele vai trabalhar como um mediador entre os conhecimentos existentes nos ambientes visitados e o estudante. Dependendo do local escolhido, se houver a disponibilização de guias ou monitores, o professor terá a função de acompanhar todo o processo, orientando os alunos e os auxiliando no que for preciso, de outra forma, o professor atuará como guia e mediador do processo de ensino-aprendizagem (MARANDINO et al.,2009). Esta mesma autora ainda destaca que:

Efetuar o planejamento dessas viagens é passo fundamental para seu sucesso. Especial atenção deve ser dispensada à escolha dos locais, à seleção dos conteúdos e espaços a serem trabalhados, à construção dos discursos dos mediadores, às atividades desenvolvidas pelos alunos e às formas de registro e avaliação que vão ser propostas (MARANDINO et al., 2009, p.150).

Iniciativas de realização envolvendo atividades que diferenciem o cotidiano escolar têm sido relatadas como formas de levar o aluno a construção do próprio conhecimento que vem para contrapor a ideia tradicional de ensino por transmissão-recepção de informações. Além disso, vários pesquisadores têm relatado que a aula de campo trouxe uma aprendizagem de conceitos maior que a aula teórica. O construtivismo adota a ideia de que as concepções do indivíduo são formadas a partir da interação ativa deste com o mundo, sendo o conhecimento uma forma de construção humana (LIMA et al., 2004).

Vários são os teóricos que adotam essa forma de ver o processo de ensino aprendizagem. Entre eles, destaca-se David Ausubel (1918-2008) que desenvolveu a teoria da aprendizagem significativa. É válido destacar, que o conhecimento só passa a ser significativo para o aluno à medida que a nova informação se liga àquilo que o aluno já sabe, ou seja, os chamados conceitos prévios (RIBEIRO e NUÑEZ, 2004).

Moreira (2012) define esses conceitos prévios como subsunçores ou ideia-âncora e descreve a aprendizagem significativa como:

É aquela em que ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e não-arbitrária com aquilo que o aprendiz já sabe. Substantiva quer dizer não literal, não ao pé da letra, e não arbitrária significa que a interação não é com qualquer ideia prévia, mas sim com algum conhecimento especificamente relevante já existente na estrutura cognitiva do sujeito que aprende (MOREIRA, 2012, p.13).



Dessa forma, torna-se relevante basear o ensino naquilo que o aluno já sabe, identificando os conceitos organizadores básicos dos conteúdos que serão transmitidos. Buscar a aprendizagem significativa deve ser o foco do processo educacional e adotar novas metodologias de ensino para alcançar esses objetivos é primordial no ambiente escolar (MOREIRA, 2006).

Dentro da instituição escolar ou no ambiente de aprendizagem é fundamental que haja uma reflexão a respeito do desenvolvimento de iniciativas direcionadas para o estudo dos fungos, visto que os alunos possam observar os fungos em ambiente natural, é preciso fazer um estudo do meio. Assim, eles terão a possibilidade de ver a interação de vários grupos de fungos no ambiente em que estão localizados e compreender o importante papel que desempenham na manutenção dos ecossistemas.

O estudo do meio, os quais explorem outros diferentes espaços para a divulgação do ensino de Ciências, tornando as ações educativas extraescolares, incluindo as atividades em campo como valiosas formas de ampliar o acesso dos alunos à cultura científica (MARANDINO et al., 2009).

Dentro da Biologia existem muitos tipos de conteúdos que a partir de uma nova forma de se trabalhar podem ser aprendidos mais facilmente.  Segundo Viveiro e Diniz (2009), as atividades de campo permitem a exploração de conceitos, procedimentos e atitudes que são de grande valia em programas de Educação Ambiental. Nunes e Dourado (2009, p.671-691) relatam que:

 Os professores esperam alcançar por meio da aula de campo em ambientes naturais, que os alunos adquiram maior respeito pela natureza, explorando aspectos que não são possíveis dentro da sala de aula, facilitando a assimilação de informação de forma mais agradável. Também foi destacada a promoção do espírito científico dos alunos por meio do aumento da capacidade de observação e de descoberta.



Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) apresentam como possibilidades a “excursão ou estudo do meio”, considerada como uma modalidade do procedimento de “busca de informações em fontes variadas” (BRASIL, 1998). Essas habilidades especificas da ciência que podem ser exploradas em uma saída de campo, destacam-se por exemplo, a observação, a busca, a coleta, e a sistematização de dados. Este processo é necessário, pois os alunos que têm dificuldades de aprendizagem podem ser auxiliados dependendo do meio que se use para a efetivação do conhecimento.

Seniciato e Cavassan (2004) relatam que as aulas de Ciências e Biologia, realizadas por meio do estudo de campo em ambientes naturais, surtem os efeitos esperados de acordo com a metodologia de visita ao ambiente empregada, pois ajudam à motivação dos estudantes das diversas faixas etárias na busca pelo conhecimento.Muitos conteúdos de Biologia podem ser trabalhados por meio da aula de campo e o estudo do meio tem sido relatado por autores como um assunto que é bem aplicado por meio dessa metodologia (SENICIATO, 2006; VIVEIRO e DINIZ, 2009; GONÇALVES et al., 2010; MARTINS e HALASZ, 2011; OLIVEIRA et al., 2012).

Dentre os benefícios do uso de aulas de campo em conteúdos relacionados aos fungos, destacam-se o desenvolvimento de habilidades ligada a valores que constitui uma oportunidade de constatar a importância de trabalhar em grupo, de compartilhar experiências, ideias, convívio, entre outros valores destaca-se o respeito a vida ao ambiente e ao ser humano que está próximo dele. Nessa concepção, toda a estrutura para a realização da aula já está pronta no ambiente, necessitando apenas que o professor planeje e prepare a atividade a ser realizada para o maior proveito no processo de ensino aprendizagem (SENICIATO et al., 2006; SILVA e CAVASSAN, 2006).

Primeiramente é necessário a identificação de um local seguro para realização de uma trilha. Durante a caminhada, os alunos devem observar tipos diferentes de fungos, como orelhas-de-pau e cogumelos, os mais fáceis de serem identificados. No entanto, os professores devem atentar para outros tipos, como ascomicetos, por exemplo, assim o professor devem pedir aos alunos para observar e anotar as condições em que os fungos s encontram. Eles estão localizados em ambientes úmidos ou não? Necessariamente estão em ambientes bem iluminados? Quais as variedades de tipos e formas encontradas? Quais são os mais abundantes?

Uma variação dessa atividade é observar os fungos em ambientes urbanos. Para isso, peça aos alunos que comecem a observar os fungos na casa deles (no interior das gavetas, armários, guarda roupa, nos alimentos da cozinha, em paredes em possíveis focos de umidade, etc.). As saídas de campo ou estudos do meio são, ainda, momentos privilegiados para a formulação de hipóteses ou para o levantamento de questões que poderão ser trabalhadas em sala de aula.

No caminho inverso, também podem ser muito eficazes para a verificação das hipóteses levantadas e a busca de respostas por meio da observação e da coleta de informações e dados, bem como posterior discussão na sala de aula. Levando em conta que a realidade de cada escola é diferente e muito particular, com seu entorno natural e social próprio, é preciso que cada atividade sejam planejadas pelo professor e constem no PPP da escola.

Vale ressaltar que o planejamento de uma saída de campo deve levar e conta a segurança do ambiente a ser explorado e seu valor pedagógico. O sucesso de uma atividade de campo vai depender das ações planejadas pelo professor à partir da clareza dos seus objetivos pedagógicos. Para tanto, os alunos devem estar cientes do objetivo da aula, pois para alcançar esses objetivos esses alunos devem ser cúmplices dessas atividades. Torna-se de fundamental importância o conhecimento prévio do local a ser explorado, para se ter a real noção se houve alguma alteração e assim definir com antecedência o que se espera da atividade prática.











REFERÊNCIAS



ANASTASIOU, L. G. C.; ALVES, L. P. Estratégias de ensinagem. In: ANASTASIOU, L. G. C.; ALVES, L. P. (Orgs.). Processos de ensinagem na universidade. Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 3. ed. Joinville: Univille, 2004. p. 67-100.



BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1998.



FONSECA, G.; CALDEIRA, A. M. A. Uma reflexão sobre o ensino aprendizagem de ecologia em aulas práticas e a construção de sociedades sustentáveis. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 1, n. 3, p.70-92, set./dez. 2008



LIMA, A. A.; FILHO, J. P.; NUÑEZ, I. B. O construtivismo no ensino de ciências da natureza e matemática. In: NUÑEZ, ISAURO BELTRÁN RAMALHO, BETANIA LEITE. Fundamentos do Ensino-Aprendizagem das Ciências Naturais e da Matemática: O Novo Ensino Médio. Porto Alegre: Sulina, 2004.



KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. 4ª ed., São Paulo: EDUSP, 2004.



MARTINS, J. S. Situações Práticas de Ensino e aprendizagem significativa. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.



MARANDINO, M.; SELLES, S. E.; FERREIRA, M. S. Ensino de Biologia: histórias e práticas em diferentes espaços educativos. São Paulo: Cortez, 2009



MOREIRA, M. A. A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala de aula. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2006.



MOREIRA, M. A. Aprendizagem Significativa: a teoria e textos complementares. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2012.



MORAIS, M. B.; PAIVA, M. H. Ciências – ensinar e aprender. Belo Horizonte: Dimensão, 2009.



NUNES, I. E.; DOURADO, L. Concepções e práticas de professores de Biologia e Geologia relativas à implementação de ações de Educação Ambiental com recurso ao trabalho laboratorial e de campo. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 8, n. 2, p. 671- 691. mai./ago. 2009





OLIVEIRA, A. P. L.; MORAIS, J. P. S.; SOVIERZOSKI, H. H.; CORREIA, M. D.

Avaliação do Conhecimento dos Alunos de uma Escola Pública sobre o Ecossistema Manguezal no Litoral Norte do Município de Maceió – Alagoas. In: III Encontro Nacional de Ensino de Ciências e do Ambiente. Niterói, Anais eletrônicos, Niterói, UFF, 2012. Disponível

em: <www.ensinosaudeambiente.com.br/eneciencias/.../trabalhos/T215.pdf>. Último acesso em 20 OUT. 2017.



RIBEIRO, R. P.; NUÑEZ, I. B. A Aprendizagem Significativa e o Ensino de Ciências Naturais. In: NUÑEZ, I. B.; RAMALHO, B. L. Fundamentos do Ensino-Aprendizagem das Ciências Naturais e da Matemática: O Novo Ensino Médio. Porto Alegre: Sulina, 2004.



SENICIATO, T. A Formação De Valores Estéticos em Relação ao Ambiente Natural nas Licenciaturas em Ciências Biológicas da UNESP. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências da UNESP/Campus de Bauru. 2006.





SENICIATO, T; CAVASSAN, O. Aulas de campo em ambientes naturais e aprendizagem em ciências – um estudo com alunos do ensino fundamental. Ciência & Educação, v. 10, n. 1, p. 133-147, mar. 2004.



SENICIATO, T; SILVA, P; CAVASSAN, O. Construindo Valores Estéticos Nas Aulas De Ciências Desenvolvidas Em Ambientes Naturais. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, vol. 8, núm. 2, p. 97-109, dez. 2006.



VIEIRA, V. S. Análise de espaços não formais e sua contribuição para o ensino de Ciências. Tese de Doutorado. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005.



VIVEIRO, A. A. V.; DINIZ, R. E. S. Atividades de campo no ensino das ciências e na educação ambiental: refletindo sobre as potencialidades desta estratégia na prática escolar.

























































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interdisciplinaridade


INTERDISCIPLINARIDADE

Artigo produzido por: Rosimeire Morais Cardeal Simão



A interdisciplinaridade é uma prática altamente complexa que exige uma reflexão epistemológica. Os desafios de uma nova educação se impõem e ela deve ser repensada de maneira a dar aos alunos oportunidades de tirarem proveito da melhor maneira possível do ambiente educativo que está sempre em constante transformação. Para tanto, o professor deve estar sempre buscando e perseguindo as quatro aprendizagens ligadas aos pilares da educação, são eles: aprender a conhecer garante a aprender a aprender e constitui um passaporte para educação permanente, o aprender a fazer está ligado ao desenvolvimento de habilidades e o estimulo ao surgimento de novas aptidões, aprender a viver trata-se de viver juntos, desenvolvendo o conhecimento do outro e aprender a ser mostra que a educação deve estar comprometida com o desenvolvimento total da pessoa.

Dessa forma, a interdisciplinaridade e a contextualização são propostas que visam superar o tratamento estanque dado ao conhecimento escolar. Segundo os Parâmetro curriculares Nacionais (PCN’s)- Ensino Médio, p.88 e 89.

O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirmação, de complementação, de negação, de ampliação, de eliminação de aspectos não distinguidos.

Tendo presente esse fato, é fácil constatar que algumas disciplinas se identificam e aproximam, outras se diferenciam e distanciam, em vários aspectos: pelos métodos e procedimentos que envolvem, pelo objeto que pretendem conhecer, ou ainda pelo tipo de habilidade que mobilizam naquele que a investiga, conhece, ensina ou aprende.



Para Klein (2001, p.115). ”Não existe um currículo interdisciplinar único, um paradigma para prática único e uma teoria única”. A interdisciplinaridade foge da dicotomia improdutiva e pressupões um movimento dialético com vista ao crescimento da identidade e da alteridade disciplinares e por trabalhar as interfaces de vários saberes, a interdisciplinaridade constitui-se como um terceiro, um entre-lugar, onde há uma circulação de saberes. Conforme consta nos PCN’s- Ensino médio, p.88 e 89

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É importante enfatizar que a interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários. Explicação, compreensão, intervenção são processos que requerem um conhecimento que vai além da descrição da realidade e mobiliza competências cognitivas para reduzir, tirar inferências ou fazer provisões a partir do fato observado.



            A prática dialógica da interdisciplinaridade assegura aos agentes envolvidos, sejam eles estudantes, professores ou mesmo os representantes da instituição de ensino relativizar os conceitos de verdade.de maneira plural. O interdisciplinar de que tanto se fala não está em confrontar disciplinas já constituídas das quais, na realidade, nenhuma consente em abandonar-se. Para se fazer interdisciplinaridade, não basta tomar um “assunto” (um tema) e convocar em torno duas ou três ciências.

A interdisciplinaridade consiste em um objeto novo que não pertença a ninguém. (Barthes, 1988, apud Machado, 2000, p.117). Somos convictos que as práticas pedagógicas no decorrer da história sofriam mudanças em função dos valores cultivados pelo homem, derivados das necessidades básicas da própria existência; as transformações ocorridas empunham naturalmente a busca de novas formas de saber e fazer. Como observa Silva, cabe à análise ético-política dos projetos educacionais garantir “instrumentos que deverão produzir o equilíbrio intra institucional e da instituição com seu entorno social, político e histórico” (SILVA,2006: 198).

Neste sentido reconsiderar da construção social é um ideal de sociedade pela qual se luta. Sendo assim, uma proposta de ensino interdisciplinar possibilita a formulação de um saber crítico-reflexivo com base no diálogo entre os conteúdos de diferentes disciplinas, permitindo uma nova postura de professores e alunos diante do conhecimento, deixando de concebê-lo como algo estanque. Nesta perspectiva, reconhecemos a necessidade de se trabalhar com a interdisciplinaridade, ou seja, o entendimento de que a complexidade dos mundos físico e social requer as disciplinas se articulem, superando a fragmentação e o distanciamento, para que possamos conhecer mais e melhor.

A interdisciplinaridade busca, assim, romper com os limites entre as disciplinas escolares e as diferentes áreas de conhecimento, proporá os alunos uma compreensão mais abrangente da realidade e, consequentemente, dando-lhe oportunidade de vivenciar uma aprendizagem mais efetiva. Um ensino pautado numa prática interdisciplinar pretende formar alunos com uma visão global de mundo de mundo, aptos para “articular, religar, contextualizar, situar-se num contexto e se possível globalizar, reunir conhecimentos adquiridos” (MORIN,2002, p.29).

Dessa forma o trabalho interdisciplinar significa nada menos que a construção coletiva do novo conhecimento de forma humanística e uma preparação para o mercado de trabalho. Portanto, a prática interdisciplinar não é oposta a prática disciplinar, mas sim complementar a essa, na medida em que “não pode existir sem ela e mais ainda, alimenta-se dela” (LENOIR, 2001, p.46).

Sendo assim, a escola precisa reconhecer que nesta nova pedagogia de comunicação não há lugar para ensino tradicional com conteúdos fragmentados, mais ter condição que a aprendizagem significativa é aquela que parte do lado para compreender as partes. Quando o saber é compartimentado em disciplinas, pode levar a conhecimentos bastante específicos focalizados em uma só área. Essa compartimentalização está presente na escola por meio das disciplinas específicas, e, entre as temáticas da sala de aula e a realidade vivida pelos estudantes, acaba por gerar a alienação e a irresponsabilidade dos aprendizes, que não se sentem parte dos fenômenos e, portanto capazes de mudá-los. (Lück,1994).

O currículo escolar é mínimo e fragmentado não favorece o diálogo e a comunicação entre os saberes. As disciplinas com seus programas e conteúdos não se integram, dificultando a perspectiva de conjunto e de globalização que favorece a aprendizagem (PETAGLIA,1995. P.69).  

Para isso, em primeiro lugar não podemos ignorar as relações entre as disciplinas e as áreas de conhecimento e persistir discutindo de forma fragmentada os conhecimentos, na expectativa de que os alunos solitariamente, consigam estabelecer as inúmeras relações, nem sempre tão claras ou acessíveis. Neste ambiente, trata de organizar organização a discussão dos conhecimentos de forma interdisciplinar o que pode ser feito pelos educadores da mesma área definidas as competências consideradas essenciais para o desenvolvimento dos alunos. Segundo LUCK, (1994), a interdisciplinaridade se tornou uma ideia força que procura engajar professores numa prática conjunta. No entanto relatos obtidos de experimentos para integrar as disciplinas escolares de forma intencional ainda incipientes.

Diante disso, percebemos que o que faz com que uma disciplina se relacione com a autora é mundo, o mesmo mundo que, no seu movimento, faz com que as disciplinas se transformem. Segundo MIZUKAME, (1999), a necessidade de lidar com uma clientela cada vez mais plural do ponto de vista cognitivo, social, cultural, étnico e linguístico, exige dos professores um conhecimento mais maleável e atualizado dos conteúdos e de metodologias de ensino facilitadoras da aprendizagem.

Porém a realidade é que muitos professores não estão sendo instruído para lida com tais mudanças, ou por estarem carregados em suas práticas pedagógicas ou por não saberem como ter uma postura única entre as outras disciplinas frente a isto, o resultado é uma alienação que é necessária a ser superada não só para que os educadores sejam reflexivos para lidar com as rápidas mudanças nos processos educativos, mas para que o conhecimento científico tenha maior abrangência e significação. Embora, a implementação da prática interdisciplinar esteja em voga na educação brasileira, a insegurança e a dificuldade de realizar projetos dessa natureza ainda impera entre os educadores, FAZENDA, (2002).

Neste contexto, coloca-se para o professor como um desafio, pois trata-se de selecionar deferentes “caminhos” para facilitar a aproximação entre o aluno e o conhecimento. O grande problema pois é encontrar a difícil via de inter- articulação entre as ciências, que tem, cada uma delas, não apenas sua linguagem própria, mas também conceitos fundamentais que não podem ser transferidos de uma linguagem à outra. (MORIN,2002 A, p.113).

O que sabe o aluno sobre aquele concerto mesmo que tenha uma compreensão parcial ou esquivo cada? Como provocá-lo? Que “instrumento” nos permitem garantir uma ponte entre o que o aluno sabe e aquilo de que precisa se apropriar? Ou seja, que passagens posso provocar. Que permitam ao aluno caminhar em uma e outra direção, ir e voltar comparar, desconstruir e construir as representações? Quais são os elos que legam o sujeito ao conhecimento enfim, como contextualizar, como falar próximo ao que o aluno transmita.

Sendo assim, detectamos que não é uma tarefa simples, depende da competência de cada professor para organizar as situações de aprendizagens e de sua disponibilidade para revê-las. Isto porque não há uma indicação pronta de como se deve fazer para discutir qualquer conhecimento. Segundo Severino (2001, p.41) “Se o sentido interdisciplinar ele precisa ser redimensionado quando se trata de um saber teórico, ele precisa ser construído quando se trata de um fazer prático”.

O que existe são indicações metodológicas específicas relacionadas, por exemplo, a lógica da própria disciplina à faixa etária do aluno à experiência de vida à relação professor, aluno. Nesta trajetória, reconhecemos que é possível sem, a escola trabalhar de forma interdisciplinar. Para isso é necessário que sempre se trabalhe com estratégias para encontrar os elos que permitam ao aluno dar significado ao que está aprendendo.

Por exemplo, é inevitável ao trabalha com temas diversificados, antes de tudo pioro cor reflexões, para que o aluno não apele apenas para memorização, mas compreendam o todo num visão global; para isso é necessário que o educador leve para soa de aula inúmeros textos ou matérias como fator, vídeos filmes etc. que tenha significado para eles afim de despertar total interesse pelas atividades

Portanto, a escola precisa investir professores para que este seja um instigadores do conhecimento e ensine os alunos a utilizar as linguagens como meio de expressão, informação comunicação, colocando-os como protagonistas no processo de produção e recepção; ensino a analisar, interpretar é aplicar os recursos. Os professores devem ser os protagonistas na implantação de práticas interdisciplinares na escola.

Como afirma Morin (2002B, p.35) “a reforma deve se originar dos próprios educadores e não do exterior.” Para isso, a escola precisa estar atentas as várias técnicas como: os seminários onde os alunos podem expor suas criatividades de inúmeras maneiras, analises de painéis, e do próprio espaço físico e social em que atuam interpretações de diversos tipos de textos, e utilização da arte como ponto de parida aos objetivos que desejam alcançar. Enfim a construção de conhecimentos competências e habilidade na escola implica recorrer a contextos que tenham significados para o aluno e possam mobiliza-los a aprender, num processo ativo, em que ele é protagonista e não mero coadjuvante: Educar para a vida requer uma aprendizagem significativa, que envolva o aluno não só institua, mas também afetivamente.

Foi neste pensamento, de almejar tal educação que é indemissível utilizar a arte como ponto chave para as metas desejáveis. Na educação a arte representa a ampliação do ambiente social do aluno, o contato com o fazer artístico possibilitará ao mesmo uma segunda porta de entrada na sociedade mais ampla. Desenhar, pintar ou construir (re)constituir um processo complexo em que o aluno reúne deveres elementos de sua experiência para formar um novo e significativo todo, para ele a arte e atividade dinâmica e unificadora.

Por isso tudo em vista que a arte é um elemento socializado, o professor deve buscar a integração dos inúmeros conhecimentos sempre utilizado o ensino desta, pois proporcionará uma prática prazerosa, gratificante, onde os alunos, por se sentir estimulado será bem mais fácil desafiá-los e levá-los a construir seus próprios conceitos e consequentemente uma verdadeira aprendizagem.

Segundo os PCN’s A integração interdisciplinar deve fazer parte de toda estratégia de ensino. Na prática cotidiana, professores de diferentes disciplinas complementam informações, trocam ideias e desenvolvem o trabalho em equipe. Os estudantes percebem mais facilmente as relações entre os diferentes fenômenos da natureza quando estudam os mesmos conceitos em diferentes disciplinas. É recomendável considerar a possibilidade de integrações interdisciplinares, mesmo que de maneira informal, e, se possível, incluir no planejamento ao menos uma atividade desse tipo.

Portanto percebemos que a interdisciplinaridade se dá pelo envolvimento das disciplinas em projetos, atividades facilitadoras da compreensão de temas complexos, desenvolvimentos de pesquisas e estudos ou até mesmo pelo esforço coletivo da classe em analisar em fato, um conteúdo ou numa prática escolar sobe diferentes enfoques.

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (Resolução n,2, de 30 de janeiro de 2012, da Câmera de Educação Básica do MEC) propõe, em seu artigo 8ª, um tratamento metodológico “que evidencie a contextualização e a interdisciplinaridade ou outras formas de interação e articulação entre diferentes campos de saberes específicos”. Nos PCN+ Ensino médio, a nova compreensão do Ensino Médio é descrita em termos de uma de uma organização do aprendizado que “não seria conduzida de forma solitária pelo professor de cada disciplina, pois as escolhas pedagógicas feitas numa disciplina não seriam independentes do tratamento dado às demais, uma vez que é uma ação de cunho interdisciplinar que articula o trabalho das disciplinas, no sentido de promover competências” (Brasil- MEC-SEMT. PCN+ - Ensino médio: Orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares Nacionais- Ciências da Natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC- Semt, 2002.p. 13). 

Assim, para que haja a interação interdisciplinar, não se deve perder de vista os conhecimentos disciplinares. Não se trata, portanto, de tirar de cena os conteúdos disciplinares, mas, ao contrário, de promover a interação entre eles. É possível, assim, atuar na fronteira entre disciplinares e, ao mesmo tempo, mobilizar o conhecimento destas para o tratamento dos temas interdisciplinares.

Diante dos fatos acima mencionados, há necessidade de reflexões teóricas, que permitam a compreensão do sentido do conceito de interdisciplinaridade e que possam subsidiar a construção de projetos interdisciplinares, entre os docentes das diferentes áreas na escola pesquisada, para tanto a interdisciplinaridade conduto que resume a prática de interação entre as disciplinas é uma estratégia pedagógica que assegurar aos alunos a compreensão dos fenômenos naturais e sociais, sendo assim a escola deve fornecer aos alunos as ferramentas para a compreensão e ação.

É preciso construir essas ferramentas, as competências partindo dos conhecimentos específicos e fazendo-os interagir, só assim estaremos educando para a vida, ou seja levando o aluno a se transformar no contato com o mundo e a se habilitar a três formar, ele próprio, e o mundo em que vive.


REFERÊNCIAS


DESCARTES, R. Discurso sobre o método. São Paulo: Hemus, 1978.

FAZENDA, I. C. A. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 10. ed. Campinas: Papirus, 2002.

KLEIN, J. T. Ensino interdisciplinar: didática e teoria. In: FAZENDA, I. C. A. (Org.). Didática e interdisciplinaridade. 6. ed. Campinas: Papirus, 2001. p. 109-132.

LENOIR, Y. Didática e interdisciplinaridade: uma complementaridade necessária e incontornável. In: FAZENDA, I. C. A. (Org). Didática e interdisciplinaridade. 6. ed. Campinas: Papirus, 2001.

LÜCK, H. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológico. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

MACHADO, N. J. Educação: projetos e valores. 3. ed. São Paulo: Escrituras, 2000.

MIZUKAMI, M. G. N. Os Parâmetros curriculares nacionais: dos professores que temos aos que queremos. In: MORIN, E. A cabeça bem-feita. repensar a reforma, reformar o pensamento. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002a.

______. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2002b.

PETRAGLIA, I.C. Edgar Morin: A educação e a complexidade do ser e do saber. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

SANTOMÉ, J. T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed, 1998.

SEVERINO, A. J. O conhecimento pedagógico e a interdisciplinaridade: o saber como intencionalização da prática. In: FAZENDA, I. C. A. (Org.). Didática e interdisciplinaridade. Campinas: Papirus, 2001.


Documentário produzido  por Rosimeire Morais Cardeal Simão está disponibilizado no átrio da UPE- Campus Petrolina-PE


FICHA TÉCNICA



SINOPSE

A produção de alimentos saudáveis e em quantidades suficientes para uma população crescer, podem ser produzidos sem agressão ao meio ambiente e o resgate dos conhecimentos tradicionais é o contraponto para um modelo hegemônico da agricultura convencional.

O documentário retrata as práticas e os conhecimentos agroecológicos que vem potencializando a população Calmonense "desde o plantio até a comercialização", apresentando a realidade da transição agroecológica a partir da leitura coletiva pelas diferentes comunidades, mostrando as estratégias que foram traçadas e discutidas e que venham a ser aplicadas ações para contribuírem com essas comunidades a contrapor a produção convencional para aqueles que desconhecem modelos sustentáveis, de modo a não degradar o meio ambiente e nem a saúde daqueles que necessitam dela para sobreviver.



Título

Agroecologia em Miguel Calmon: Relatos do contexto histórico e contemporâneo dos caminhos de uma transição

Ano de produção: 2018

Produção: Rosimeire Morais cardeal Simão

Duração: 20 minutos

Classificação:  L- livre para todos os públicos

Gênero: Documentário